CONSUMMATUM EST!


Reza a lenda que foi esta a reação de Santo Tomás de Aquino na primeira vez em que provou arroz com leite: soquear com força a mesa e gritar “acabou-se!”, com indignação, após a última garfada. O relato do banquete em que tal fato aconteceu, oferecido em 1218, pelo rei Luís IX da França, é também a primeira aparição do doce na literatura documental. A iguaria, no Brasil chamada de Arroz-Doce, tem origem árabe, embora sua autoria também seja atribuída a indianos, chineses e paquistaneses. Acredita-se que a aterrissagem do prato na mesa da corte francesa tenha sido obra do cozinheiro do rei, que conheceu a receita no Norte da África, durante a primeira cruzada. A partir daí, a difusão da iguaria pela Europa foi rápida. Existem versões do Arroz-Doce na Itália, na Espanha, na Alemanha, em Portugal, na Grã Bretanha, no Leste Europeu e na península Escandinava. As versões do prato pelo mundo incluem variações nos temperos, que vão da tradicional canela até sementes de papoula, gengibre, anis e açafrão. Durante os últimos vinte e seis séculos, o arroz cozido em leite com açúcar conservou praticamente intacta a sua essência original. A sobremesa de arroz doce em Portugal reflete esse desejo de manter vivas as doces tradições ancestrais. Servi-lo no final do almoço de domingo, ou em qualquer acontecimento digno de celebração, significa venerar um costume antigo e honrar os dias festivos. As inúmeras referências revelam esta aliança do arroz doce e determinadas datas do calendário. No Natal, por exemplo, nas aldeias e cidades portuguesas, é sobremesa obrigatória. Assim, antes de ir à popular Missa do Galo, não deve faltar um prato de arroz doce e os doces conventuais que são servidos após um vistoso bacalhau cozido ou ao forno. Trazido pelos portugueses, o Arroz Doce se alastrou pelo Brasil, sucesso garantido no repertório de receitas de qualquer avó que se preze. Desde o aroma que lhe é oferecido pela canela, passando pelo toque sutil que a casca de limão lhe dá, o arroz doce admite, na sua preparação, pequenas variantes que permitem personalizá-lo e torná-lo único em cada mesa. A receita é bastante simples e barata. O conjunto dos ingredientes não gera um custo maior que 15 reais e rende aproximadamente dez porções por xícara de arroz. O gosto característico lembra a infância de todos nós.

ARROZ DOCE LIGHT (90 calorias por taça)

Ingredientes: 1 litro e meio de leite, 2 xícaras de arroz (já lavado), 3 xícaras de açúcar orgânico, canela em pau e moida a gosto e 1 lata de leite condensado light.

Modo de Preparo: Coloque, em uma panela grande, o leite e o arroz, e cozinhe por 20 minutos já com a canela em pau, mexendo de vez em quando. Acrescente o açúcar e deixe mais 20 minutos. Por último, adicione o leite condensado e deixe os 20 minutos finais. Salpique com mais um pouquinho de canela na hora de servir. Divirta-se!
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PICADINHO INDIANO


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UM SÍMBOLO DO TROPERISMO


"O gaúcho, desde os primórdios, teve sua preferência na carne. A cozinha gaúcha, desde os tempos históricos, quando as fazendas eram fábricas domésticas de alimentação, centralizava a atividade principal da casa. O churrasco, todo soberano, absoluto e onipresente dominava o menu. A fabricação nas estâncias vinha com a manteiga, o queijo da campanha, o requeijão, etc... O arroz carreteiro e o charque eram quase como pratos chefes. O arroz e o feijão representam a constante brasileira na vida pastoril e urbana do Rio Grande do Sul." – trecho extraído do livro de Dante de Laytano intitulado Folclore do Rio Grande do Sul. As carreteadas, pelos pampas do Rio Grande do Sul, desde os primórdios da civilização, prestaram papéis relevantes ao nosso folclore. Particularmente, as carreteadas foram o meio mais eficiente de povoação da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, além de abrir caminhos pelas matarias e descampados. Os rangidos dos rodados eram a certeza do transporte do suprimento necessário para erguer-se um rancho, vanguarda dos confins das plagas do sul. Cortando distâncias, o carreteiro deixava a família e a querência. Um fiambre, contendo charque, tinha presença na mochila do carreteiro. Era o alimento protéico mais adequado para vencer a carreira das distâncias. Apesar das grandes contribuições das carreteadas, muito superadas pela tecnologia moderna, foi a Culinária Gaúcha que herdou seu maior legado – o Arroz de Carreteiro. Durante longo tempo, o principal produto de sua economia era o charque. A carne bovina salgada e secada ao vento era abundante. Ao partir para as carreteadas os sul-riograndenses abasteciam suas comitivas de bastante charque. Uma manta grossa de charque, encapada de banha, era um convite irresistível para um carreteiro. As carreteadas poderão passar, porém o prato Arroz de Carreteiro jamais faltará na mesa do gaúcho. Nas carreteadas, sob o abrigo dos acampamentos, nosso campeiro sempre teve seu gosto ajoujado a esse saboroso prato. Ele invadiu os ares citadinos, conquistando a predileção dos gostos mais requintados. O Arroz de Carreteiro, prato característico do cardápio gaúcho, nascido da luta das estradas, seu sabor se confunde com o prazer de viver nestes pagos soberanos.

UM POUCO MAIS DE HISTÓRIA...


NOSSA RECEITA: ARROZ DE CARRETEIRO

INGREDIENTES: 1 kg de charque, 1 kg de arroz, 2 cebola e 6 dentes de alho.

MODO DE PREPARO: Aferventar o charque, trocando uma vez a água. Se o charque for caseiro, basta deixar pelo menos 5 horas de molho em água fria. Picar o charque em guisado médio e colocar na panela para fritar. Se o charque for gordo, colocar menos gordura. Esmagar o alho e picar juntamente com a cebola. Quando o charque estiver bem dourado, colocar a cebola e o alho picados para fritarem. Juntar o arroz e deixá-lo fritando um pouco. Colocar água fervendo até dois dedos acima do arroz. Provar o sal e cozinhar em fogo baixo. Para seis pessoas. Bom apetite!
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